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16/09/2009 - Ministério da Visitação
Têm a missão de estabelecer laços de amizade com as pessoas e as famílias.
Categoria: Dom Irineu

 

OS GRUPOS BÍBLICOS E AS VISITAÇÕES I

 

1. O que é o ministério da visitação?
 
Uma das funções dos Grupos Bíblicos de Reflexão é o ministério da visitação. O Ministério da Visitação têm a missão de estabelecer laços de amizade com as pessoas e as famílias. Sua primeira atividade é, como o próprio nome diz, visitar, ir ao encontro, ouvir alegrias e tristezas, ver o que é preciso, encaminhar para os demais grupos e serviços da comunidade. É um gesto de solidariedade, imitando Jesus que, na sua missão ia ao encontro das pessoas. Sua bondade e seu amor contagiavam a todos. A fraternidade é essencial nessa missão. É preciso estar sempre disposto a fazer algo bom e útil, além de ajudar os visitados.
Quando é feita uma visita, leva-se em consideração o bem do indivíduo e o que os ministros têm a oferecer a ele. O homem é, por natureza, sociável e usa desta qualidade para promover o bem, refletindo a dinâmica de Cristo. “Quando trabalhamos na mesma missão, principalmente se esta tem como finalidade o Reino de Deus, conjugando-se idéias, esforços e programas de vida, que acabem por semear uma amizade fecunda e prazerosa para todos que a compartilham e dela usufruem.”

2 - Qual é a importância desse trabalho?

Os Ministros da Visitação levam a Igreja para mais perto das pessoas, a fim de que todos se tornem uma grande família. Todos amem e todos sejam amados. Que não haja necessitados. Cresçam sempre mais os vínculos de relacionamento. O anúncio do Evangelho tem uma dimensão de grupo, de massa, onde todas as pessoas se reúnem em pequenos grupos para celebrar e testemunhar a Fé. É uma Igreja doméstica. 

3 - Onde acontecem as visitas?

As visitas poderão acontecer nas casas, mas também em todos os outros lugares onde as pessoas estejam, como locais de trabalho, escolas e tantos outros lugares.

4- Como deve ser o perfil dos participantes deste Ministério?

O ideal é que os ministros e ministras sejam pessoas do povo, que conhecem bem os ritmos de vida das pessoas, que partilhem de suas alegrias e de seus problemas. Conheçam a partir de dentro, tenham reconhecimento na área. Precisam ter bom testemunho, sejam católicos praticantes, sem problemas morais que venham a afetar o trabalho evangelizador. Importa ainda que não tenha muitos outros serviços, pois precisam estar disponíveis para a visitação.

5 - Os padres não poderiam realizar esse trabalho?

E interessante observar que os Ministros da Visitação não substituem o padre na presença junto às pessoas. O problema é que, em virtude do tamanho das paróquias e da diversidade de trabalhos, o padre, sozinho, não dá conta de tudo. Imaginemos uma Paróquia com 25 ou 30 mil habitantes. Como o padre vai poder conhecer mais de perto todas essas pessoas.

OS GRUPOS BÍBLICOS E AS VISITAÇÕES II


1- Quais são os destinatários da visitação?

A visita se destina a todos. Trata-se de uma atitude pastoral contínua, pois a vida é dinâmica. Os problemas de hoje não são os problemas de amanhã. Por certo, em fidelidade ao Evangelho, atenção especial deverá ser dada aos sofredores, sejam eles quais forem, estejam eles onde estiverem. Alguns exemplos são indicados: doentes, enlutados, prisioneiros e mais pobres. Sendo assim os Ministros da Visitação também devem auxiliar os famintos, os sem-chão, os sem-teto, os sem-roupa digna, os desanimados, desesperançados, enfim, todos os que sofre de alguma carência. As visitas devem incluir asilos, creches, centros de estudo e de pesquisa, escolas, universidades, orfanatos, centros de recuperação de drogados e de tratamento de soropositivos.
Outros que precisam receber a visita dos Ministros são os sem religião, indiferentes à Igreja, os afastados, os desempregados e os moradores de rua. Os lares desfeitos, os ambientes de trabalho e de lazer, as favelas, os seminários, noviciados e “casas de formação” vão aguardar a visita dos Ministros. Nem se pode esquecer dos novos advindos às Paróquias e comunidades e dos lugares de fora da Arquidiocese, que também devem ser foco deste trabalho. Com uma extensa lista de destinatários, o Ministério da Visitação vai trabalhar integrado à Pastoral de Conjunto e contar com a colaboração dos mais diversos agentes pastorais, tais como: da Saúde e dos Enfermos, Carcerária e outras.

2- Qual a preparação dos Ministros da Visitação?

Receberão uma formação especial através de um programa e encontros organizados pelo Secretário Diocesano de Pastoral cujo objetivo é formar multiplicadores para que, em todas as paróquias seja implantado esse Novo Ministério. É indispensável a formação permanente, que pode acontecer, pelo menos, em dois momentos. O primeiro é o dos cursos que vãos sendo organizados nas Comarcas ou Paróquias. O segundo é o da reunião regular, na paróquia, onde as situações vão sendo partilhadas, analisadas, e o amadurecimento dos missionários vai acontecendo.”

3- Quem poderá ser Ministro da Visitação?

“Para ser ministro da visitação é preciso, antes de mais nada, ter vocação. É preciso se sentir chamado por Deus a este serviço específico que tem um rosto essencialmente missionário. Além disso, deve ser alguém já maduro na caminhada da fé, pois vai falar em nome da Igreja, enfrentando desafios e questionamentos. É preciso ser pessoas com facilidade de diálogo, paciência e persistência. Deve ter boa fama na redondeza, sendo, de modo especial, reconhecida como pessoa de fé coerente com a fé que possui”

4- Qual é o grande ideal da visitação?

É a evangelização. Razão porque criamos o Ministério da Visitação. Evangelizar de maneira mais personalizada, redescobrindo o valor do face-a-face, em que alegrias e tristezas são partilhadas à luz da fé, respondendo aos anseios de nosso tempo. Por esse motivo, pode-se afirmar que esse novo Ministério é essencial e urgente no mundo de hoje, especialmente em cidades como Joinville, Jaraguá, Itaiópolis, Mafra, São Bento, Araquari, São Francisco, Garuva, Rio Negrinho etc. Este ministério é essencial e urgente porque atua diretamente sobre cada pessoa, cada família, cada pequeno grupo. O pluralismo, que tanto nos assusta, tem o valor de permitir que as respostas de fé sejam dadas através da escolha, da opção, da conversão mesmo. O contato pessoal, feito através das visitas, possibilita, na conversa, na escuta e na oração, que cada pessoa seja evangelizada de modo muito próprio, bem especial. É por isso que não está tão errado dizer que estamos diante de uma atividade prioritaríssima.

OS GRUPOS BÍBLICOS E AS VISITAÇÕES III


A VISITAÇÃO DE JESUS AOS LARES

O ministério terreno de Jesus caracterizou-se não só pelas atividades evangelísticas de massa, mas, especialmente, pelas visitas aos lares. O Novo Testamento registra alguns casos, mas muitos outros tiveram lugar no ministério do divino Mestre.

1. Ele visitou a casa de Pedro (Mt.8:14-17; Mc.1:29-31; Lc.4:38-41). A lição que tiramos nesta visita de Jesus é que Ele não deixava de visitar as casas dos Seus discípulos, mesmo os tendo mandado deixar tudo para que O seguissem. É muito importante que visitemos os lares daqueles que estão ao nosso lado na obra do Senhor, que haja uma aproximação entre os lares daqueles que têm chamados semelhantes na casa de Deus. Este entrosamento faz com que nos aproximemos, conheçamos um melhor ao outro, o que somente trará bons resultados na igreja local.
Devemos, também, notar, nesta visita à casa de Pedro, a delicadeza e a civilidade do Senhor. Os textos bíblicos mostram que Jesus Se inclinou até onde estava a sogra de Pedro, para repreender a enfermidade. Sem escândalo, sem barulho, sem algazarra, bem diferente do comportamento de certos “santos homens e mulheres de Deus” dos nossos dias. Além do mais, é dito que Jesus tomou a sogra de Pedro pela mão (sinal de respeito, pois se tratava de pessoa idosa, mais velha que o Senhor), para que se levantasse. Delicadeza, polidez, discrição são características que Jesus nos ensina na visitação.

2. Ele visitou a casa de Mateus, um publicano que foi chamado por Jesus para ser seu discípulo (Mt.9:10; Mc.2:14-17; Lc.5:27-32). A lição que tiramos nessa visita de Jesus é a de que não podemos nos deixar levar pelos preconceitos sociais na visitação. Mateus convidou Jesus para uma refeição e ali chegaram publicanos e pecadores, que também se sentaram à mesa, pessoas que também haviam sido convidadas por Mateus e que eram do seu convívio social até então. Jesus não repreendeu Mateus por ter convidado este tipo de gente para o banquete, apesar da falta de caráter destas pessoas. Jesus bem sabia que a casa era de Mateus e não dEle e que Mateus havia convidado os seus amigos. Era ele um recém-convertido e somente tinha amigos entre publicanos e pecadores e isto deveria ser levado em conta. Além do mais, Jesus havia vindo para salvar os pecadores e nada melhor que estes viessem para ouvi-lo.

3. Ele visitou a casa de Jairo(Mt.9:23-25; Mc.5:36-43; Lc.8:50-56). Aqui, Jesus, uma vez mais, Se dirige a uma casa porque foi convidado a ir até lá. No meio do caminho, alguém veio ao encontro de Jairo e quis demovê-lo da visita, mas Jesus interveio dizendo a Jairo para que tão somente cresse, apesar de tudo parecer perdido. Isto nos ensina que, em havendo o convite para irmos até a casa de alguém, devemos ter o devido discernimento para não permitirmos que a incredulidade seja lançada no coração daquele que nos convidou e nos impeça de chegar até o local. Não são poucos os obstáculos que o adversário de nossas almas lança para impedir que façamos uma visita, mas devemos suplantá-los em nome do Senhor. Isto não significa, em absoluto, que sejamos atrevidos e invadamos residências, como muitos fazem, mas que, uma vez formulado o convite, lutemos para que concretizemos a visita. Assim como Jesus, não podemos ficar no meio do caminho.

4. Ele visitou a casa de Simão, o leproso (Mt.26:6-13, Mc.14:3-9, que alguns consideram ser a mesma visita registrada em Jo.12:1-8). Nesta visita, vemos, uma vez mais, Jesus respeitando as atitudes dos que visitava. Uma mulher, identificada em João como sendo Maria, irmã de Lázaro, fez um gesto de adoração, lançando ungüento caríssimo aos pés do Senhor, o que indignou os presentes. Jesus, porém, permitiu que ela lho fizesse e ainda disse que isto ficaria registrado para memória da mulher, porque o havia feito por amor ao Senhor, não dando ouvidos à indignação resultante do amor do dinheiro. Jesus mostra, nesta atitude, que, nas visitas, devemos dar primazia às pessoas em detrimento às coisas, devemos reconhecer a sinceridade e o desejo das pessoas em servir ao Senhor e não nos prendermos a uma hipocrisia escondida atrás de uma máscara que, quase sempre, é a da religiosidade. Em quantas visitas, não aparecem aqueles “religiosos” que, interessados em coisas menos nobres, não se precipitam em censurar e reprovar as atitudes daqueles que estão sendo visitados? Não é nosso papel, porém, censurar e reprovar aqueles que estão servindo a Deus com sinceridade, mas devemos, sempre, enaltecer todas as atitudes sinceras e humildes de adoração ao Senhor.

5. Ele visitou a casa de Simão, o fariseu registrada em Lc.7:36-50 e que não pode ser confundida com a visita anterior. Nesta visita, vemos que Jesus atendeu a um convite. Apesar de ter sido convidado, Jesus não foi bem recebido, mas isto não impediu que se mantivesse na visita, cujo propósito era o de tomar uma refeição.
Muitos visitantes, quando não são convenientemente recebidos, desistem de seu intento e logo vão embora. Sentem-se magoados, desrespeitados e, não raras vezes, abandonam até o ministério da visitação. Não foi, porém, o comportamento de Jesus. Chegou, não foi devidamente recebido, pois ninguém Lhe deu água para lavar os pés, como era o costume na época, não recebeu o ósculo, que era o cumprimento de saudação, nem tampouco recebeu a unção da cabeça com óleo nem o ungüento com os pés, recepções mínimas para um convidado. Apesar disto, Jesus não ficou “indignado” ou “revoltado” e foi embora, mas simplesmente Se assentou à mesa, esperando o momento de serviço da refeição. Que grande lição para nós!

6. Ele visitou a casa de Marta e Maria( Lc.10:38-42). Mais uma vez, vemos Jesus entrando em uma casa para a qual foi convidado, pois é dito que Marta recebeu o Senhor, que estava na aldeia de Betânia. Como, diante de tantas demonstrações de um Senhor que não invade lares, que não entra em casa alguma em que não é bem recebido, como podemos admitir que os “curiosos” e “violadores de intimidade”, numerosos em muitas igrejas locais, existentes desde os tempos apostólicos e que o apóstolo Paulo, muito adequadamente, denomina de “os que andam desordenadamente” (II Ts.3:6,11), venham a compor nossas “comissões de visitas”?

CONCLUSÃO

O ministério de visitação na Igreja requer um programa. Deve ser motivado pela liderança e necessita de uma preparação bíblica dos visitadores. Para o visitador cristão é necessário ter conhecimento daquilo que vai efetuar. Este conhecimento compreende saber o que a Palavra de Deus diz acerca da ação de visitar e possuir habilidades espirituais e naturais para o trabalho. Essa missão exige da igreja uma atenção especial.


OS GRUPOS BÍBLICOS E AS VISITAÇÕES IV


A VISITAÇÃO DE MARIA

Ao descrever a visita de Maria a Isabel, Lucas quer mostrar Maria como um modelo de solidariedade, da comunidade fiel que atende a todos os irmãos necessitados. O serviço de Maria a Deus se concretiza no serviço aos irmãos e irmãs necessitadas. Descrevendo a visita de Maria a Isabel, Lucas 1, 39-47, quer ensinar como as pequenas comunidades devem fazer para transformar a visita de Deus em serviço aos irmãos e irmãs. Nossa acolhida à Palavra de Deus concretiza-se no serviço concreto às pessoas mais carentes.

Lucas acentua a prontidão de Maria em atender ao apelo de Deus contido nas palavras do anjo. Imediatamente, Maria sai de sua casa para se colocar a serviço de Isabel. De Nazaré até as montanhas de Judá são mais de 100 quilômetros de caminhada. Tal atitude de Maria frente ao apelo da Palavra quer nos ensinar que não devemos nos fechar sobre nós mesmos, atendendo apenas as pessoas que nos são conhecidas ou que estão mais perto de nós.

Devemos sair de casa, e estar bem atentos e atentas às necessidades concretas das pessoas e procurar ajudar na medida de nossas capacidades e possibilidades.
Imaginem se em cada Grupo Bíblico de Reflexão alguns tomarem a iniciativa da Visitação aos mais diferentes ambientes. Quanto bem é possível realizar. Com certeza, o número dos participantes deverá crescer gradativamente e quem sabe, será necessário desmembrar os membros do grupo para formar novos Grupos Bíblicos de Reflexão. Não podemos nos acomodar no nosso grupo. Devemos crescer sempre em quantidade e qualidade.

A convivência fraterna entre todos é o resultado da visitação. Quando há visitação freqüente e contínua numa Igreja local, a fraternidade realmente se desenvolve e passamos a conhecer melhor e mais profundamente os integrantes de nossa Igreja local. Isto permitirá que cada um possa ajudar o outro de verdade, não apenas na aparência, produzindo um fortalecimento espiritual e se cumprindo o objetivo de Cristo ao criar a Igreja. A igreja local passa a ser um verdadeiro grupo social e não apenas um ajuntamento, onde as pessoas, em meio a uma multidão, desconsideram os necessitados e são desconsiderados em suas necessidades, uma mera multidão que tão somente aperta e oprime Jesus, mas não consegue dEle qualquer virtude (Lc.8:45,46).

A visita freqüente e contínua produz a simpatia, ou seja, passamos a nos dar uns com os outros. Quando passamos a nos conhecer uns aos outros, passamos a entender nossas diferenças e o complemento que há entre um e outro, o que faz com que nos demos uns com os outros, gerando uma “simpatia”, uma unidade que nos faz ser verdadeiros irmãos, onde o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre (Sl.133).




Dom Irineu Roque Scherer - Bispo de Joinville


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