A doença no caminho da conversão

Quem de nós diante do sofrimento e da dor causada pelas enfermidades que nos assolam não acaba por se questionar, às vezes a ponto de ser tomado pela angustia ou pelo desespero. Para nós cristãos o sofrimento é algo muito significativo. Não somos tolos, apaixonados pela dor, não! Somos apaixonados por Cristo, e se necessário for assumir algum sofrimento como cruz, que seja não o queremos, mas o aceitamos.

Sabemos que como disse um santo sábio: Deus só permite o mal por ser infinitamente bom e capaz de tirar dele um bem. Alias, quando observamos com os olhos da fé, a presença e a fidelidade de Deus nesses momentos é muito mais evidente do que nos momentos de gozo.  A grande graça de ser cuidado por Deus nos consola.

A Igreja, queridos irmãos, pelo exemplo do próprio Cristo, sempre percebeu no sofrimento um caminho para a santidade. Foi assim com São Camilo de Lellis, que por causa de uma enfermidade se encontrou com o Senhor. Com certeza ele não esperava que desse mal, Deus fizesse caminho, embora doloroso, mas necessário para que ele se percebesse apaixonado por Deus.

São Camilo ainda jovem deixa o exercito por causa de um grave tumor no pé. No hospital se apaixona pelos enfermos, pelos pobres que pra ele são a face do Cristo sofredor. E ainda com todas as suas dificuldades e pecados começa um árduo caminho de conversão. Sem medir esforços dedicava aos enfermos a sua vida e o seu tempo mesmo sendo ele também necessitado de cuidados, já que seu tumor o acompanhou durante toda a sua vida, vindo a desaparecer de forma miraculosa após sua morte.

Trabalho na área de saúde a mais ou menos 15 anos, e quero partilhar com vocês que muito tenho aprendido com o sofrimento dos irmãos. Foram anos em que me descobri miserável, limitado no amor, incapacitado, mesmo sendo capacitado tecnicamente. Sem amar irmãos, é impossível ver no outro, na dor dele, o Cristo. Como Deus tem me ensinado!

Ao mesmo tempo é bom demais ser um balsamo na vida do irmão. Por mais que em certos casos não se tenha humanamente muito a se fazer, ainda assim saber que você colaborou pra que doesse menos é um consolo sem igual para a alma.

Quantas vezes encontramos uma desculpa pra não estar à disposição do irmão, pequenas coisas nos servem de refúgio, pra driblar a consciência e fugir das responsabilidades de amar. E isso tristemente até dentro das famílias. Não queremos mais cuidar dos nossos, uma cultura que não se dobra a Deus logo sofre as consequências dessa distancia.

Mas claro hoje é o tempo e a hora é agora! Hora de servir, hora de estar para o outro! Afinal ser batizado no Espírito Santo também é isso, não, na verdade é isso antes de tudo! Do contrario seremos como um sino que soa, como nos ensina São Paulo, o som é belo, mas logo se perde no ar. Sem finalidade e sem propósito. Vazio!

Procuramos o Cristo em tantos lugares grandiosos que nos esquecemos da pequenez que ele mesmo escolheu pra si: estou no pobre, no doente, no faminto. Não façamos do nosso sofrimento uma lamuria, mas ao contrario, um sacrifício de louvor a Deus. Não olhemos com indiferença a dor do outro, mas ao contrario façamos dela um motivo para amar, um caminho, uma ponte para Deus, como o fez São Camilo.

Nesse ano da misericórdia sejamos obedientes ao nosso Papa, saiamos da Igreja, saímos de casa e nos direcionemos ao encontro dos menos favorecidos, todos temos algo pra dar.

São Camilo de Léllis, rogai por nós!

Reginaldo Paulo

RCC Lorena 

 
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